Apyus
O que sua banda preferida não canta sobre o amor

Que todo amor tem um fim triste. Todo. Porque simplesmente todo amor tem fim. Seja por traição, por briga, distância, descaso, falta de graça, acidente, morte. Um dia chegará ao fim. E na melhor das hipóteses será no mínimo doloroso. Mas quase nunca é minimamente. Dure uma semana, um mês, um ano, uma vida inteira.

Que a maior parte das vezes o amor que você sente por alguém não será correspondido. Ou correspondido de uma forma minimamente justa. Mas quase nunca é minimamente. E que este desequilíbrio de sentimentos gera dor. Uma dor fria como a guerra. Que quer doer a todo instante, ameaça, trolla, assusta, mas sempre deixa para dar suas caras amanhã graças a esforços diplomáticos de uma cidadã chamada esperança. Ou quase sempre. Porque um dia o esforço será em vão. E a dor deixará de ser fria. Pois, se há amor, haverá dor (a rima é tão batida quanto perfeita).

Que se há desequilíbrio de sensações, jamais haverá justiça. Porque, na melhor das hipóteses, a parte que não o compartilhar pode no máximo se dar por vencida. E achar que o melhor a fazer, uma vez que tanto sofreu, é ao menos iludir parte que o sente. É quando surgem aqueles casais em que uma parte ama por ambas. E isso nunca é justo. E nem sei se é amor. Mas sei que um dia terá dor. Pois todo amor finda em dor, mesmo aqueles que não sei se são. Cedo ou tarde.

Que o amor é uma droga. Dá prazer. Vicia. Causa abstinência. Faz qualquer ser se prestar a papéis previamente reprovados. E, como todo vício, não tem cura: tem controle.

Que merdas acontecem. Mas o amor nem sempre. E não só “nem sempre”, mas “quase nunca”. E isso é uma merda. Ou seja: acontece. Acontece de o amor não acontecer. Quase sempre.

Que na maior parte das vezes o amor é uma merda. E fede. E, quanto mais se mexe, mais fede.

Não é rancor, é franqueza. Pense em todas as vezes que você se apaixonou. E responda-me se, no geral, não houve mais lágrimas que sorrisos.

Enfim… Isso é o amor. É isso que você quer?

Sim, é o que eu quero. É o que mais quero. É o que qualquer um quer. Porque todo mundo já amou um dia. E, como vício, não tem cura, tem controle. Mas saber disso me faz ter a certeza de que não o quero descontrolado por qualquer um. Se vai doer, que doa por alguém que valha a pena.

E é por só me deixar apaixonar por quem valia a pena todo esse sofrimento que tenho orgulho de cada lágrima que derramei por amor.

Por mais brega que isso soe.

Foo Fighters: Back And Forth

Não há muito o que se fazer em documentários sobre bandas/músicos. Por mais que suas histórias sejam parecidas e repetitivas (sempre iniciam com sonhos e encontram um mínimo de conflito em experiência com drogas), nunca deixam de soar interessantes. A do Foo Fighters tem uma pimenta especial por ter nascido da morte de um dos maiores ícones do rock. Contudo, logo esta passagem é relatada - com menos drama do que fariam outros aventureiros, mas com respeito e serenidade.

Finda que o documentário se volta ao, digamos, renascimento de Dave Grohl. Acostumado a destruir instrumentos ao final de suas apresentações com o Nirvana, meses depois do suicídio de seu companheiro de palco se vê começando do zero, registrando uma fita K-7 com composições suas que nunca foram aproveitadas por sua antiga banda. E a narrativa segue bem linear até conseguir transforma 300 pagantes nos pequeno pubs americanos em noites seguidas de ingressos esgotados no estado de Wembley.

Talvez tenha faltado à direção de Jame Moll uma certa inventividade para deixar o melhor para o final. Porque, por mais que Wasting Light soe como o maior álbum da banda, ainda é bastante novo para justificar os 40 minutos finais de projeção dedicados a um sessão ao vivo de suas canções de ponta a ponta com auxílio de imagens 3D. Uma montagem mais balanceada teria distribuído suas onze faixas do início ao final do filme, entrecortando-as com a história do grupo e guardando para o clímax as apresentações na Inglaterra. Por mais que assim se perdesse o mote defendido pelo líder do grupo de que, após um show para 85 mil pessoas, o que se pode fazer é se trancar na garagem de sua casa e gravar um novo trabalho.

Midnight in Paris

Sugiro que a leitura do texto abaixo seja feita apenas após a apreciação do filme. Do contrário, você pode ser influenciado a não gostar dele.

Woody Allen segue sua tour europeia após paradas na Inglaterra e Espanha. Mas sinto que já o vi bem mais inspirado, por mais que nunca tenha deixado de protagonizar seus próprio filmes - mesmo por intermédio de outros atores.

Mais do que nunca, tudo parece muito mastigado. Logo de cara, cenas de Paris num estranho clima de slides de amigos que voltaram das férias. Na sequência, os personagens são jogados na tela e todos os seus limites são logo escancarados. Vem então a fantasia do protagonista e a trama ganha um mínimo de mistério.

Sobra um pouco para os republicanos, mas quase nada. Porque a crítica da vez parece ser o pseudo-intelectualismo daqueles que visitam Paris. Contudo, num clima de “pseudo são os outros”. Pois, quando menos percebemos, o humor parece residir na mera citação de um ou outro vulto histórico que surge na tela. E a mesma piada se repete, e se repete, e os sorrisos do público parecem se justificar apenas numa suposta demonstração de intimidade com os personagens que nos são jogados.

Em dado momento, parece que o próprio Allen se cansa daquilo e resolve botar um fim quase abrupto, não sem antes termos o momento “moral da história”, aquele em que você nunca é estimulado a pensar.

Cidades quase sempre dão bons personagens, seja em sitcons ou produções vencedoras de Oscar. Mas a Paris de Allen parece já estar mais do que malhada, repetitiva, reprisada. Muito semelhante ao Allen de Paris.

Por que não gostei de X-Men First Class

Atenção: o texto abaixo é puro spoiler. Não leia se não tiver assistido ao filme.

Eu consigo acreditar que o Spiderman é capaz de atirar teias de suas mãos e, amarrando-as a prédios, parar um trem que segue descontrolado contra um precipício. Mas não consigo acreditar que este mesmo Spiderman, dias depois, sofrerá para arrancar o plug da máquina do doutor Octopus da tomada.

Também consigo comprar que existe um planeta em algum lugar que hospeda aqueles que muitos acreditaram ser deuses nórdicos. Mas tenho sinceras dificuldades em acreditar que Thor se apaixonaria por Natalie Portman após DOIS longos dias na Terra.

Pois é… Da mesma forma, não vejo problema em Mística conseguir se transformar em quem quiser. Mas me é estranho que sua roupa tenha o mesmo poder de se transformar em outras roupas. Ou que adolescentes possam ser recrutados para estudos do governo norte-americano e, numa boa, após ver seu companheiro negão explodir por conta de um maluco nazista (em mais um caso de negão jogado na trama para ser o primeiro a morrer), topar resolver a treta que vai acabar com o mundo só porque sofriam bullying na escola.

Há um momento em que um mínimo de bom senso bate e o professor Xavier diz que não dá para aqueles moleques entrar na guerra sem treinamento. É quando é feito o longuíssimo treinamento de UMA SEMANA. E partem todos para virar alvo fácil dos maiores exércitos do planeta.

Impressiona também a força do trem de pouso da aeronave mutante, capaz de sustentar o peso de um submarino nuclear. Mas isso é bobagem.

Difícil mesmo é acreditar que os exércitos americanos e soviéticos fariam aquelas caras patéticas e lançariam mísseis em câmeras lentas para atingir os mutantes que até então os ajudavam na ilha em questão.

Enfim… O que mais me incomodou foi o uso do tempo. Batalhas que se resolvem em minutos. Treinamentos que se resolvem em semanas. Curas e tecnologias desenvolvidas no tempo de preparo de um miojo. Os policiais do Capitão Nascimento passam meses na floresta para invadir um favela e isso foi perfeitamente retratado com orçamento baixíssimo. William Wallace passa décadas lutando por sua causa em Braveheart e mais uma vez coube num tempo comercial de filme. Os mutantes optam acerca de que lado se manter na guerra como quem opta em que time vai jogar a pelada.

Achei tosco ao ponto de não compreender toda a comoção causada em tantos cinéfilos. E apostar que tantas resenhas positivas foram frutos de uma baixa expectativa alimentada por depoimentos equivocados de sua produção e cartazes horrendos.